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State of the Mind #66

Há palavras-chave, lugares-comuns, às vezes clichés que usamos sistematicamente para descrever o que nos vai na mente quando sentimos no corpo o prazer de sermos devorados pelo corpo que ansiamos. Palavras vulgares por vezes, usadas até à exaustão, repetitivas. Corpo, prazer, desejo, tesão, excitação, gemido, pele, calor, paixão, entrega, beijo, quente, ardente, suave, doce, lânguido, escorrer, tomar, domar, oferecer, sucumbir, explodir, amar, toque, trincar, chupar, beber, saborear, deliciar, masturbar, penetrar, lamber, querer, desesperar. Mas, a verdade é que, por mais repetidas, por mais vulgares, por mais simples, por mais fugidias, elas transportam o significado do que sentimos como um arrepio que nos atinge ao passar de uma brisa. A conotação é tão carregada de significado que ao proferi-las, projectamos o momento e o sentimento. As palavras, as palavras propriamente ditas, são vazias de conteúdo. O significado somos nós que lho damos, das memórias que descrevemos, das sensações que imaginamos, dos momentos que desejamos, do prazer que almejamos. Há palavras que ditas pelos lábios certos, com a voz que reconhecemos ser a que nos envolve em luxúria e sussurradas ao ouvido no momento certo, são capazes de destronar o mais incauto dos espíritos. Palavras doces, palavras fortes. Mexem no fundo do nosso ser fazendo-o levitar e entregar-se sem receio. 

Words are the food for the soul. And the soul surrenders to the body's whims.
 
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